A CHEGADA DO PEDRO (NOSSO MAIOR PRESENTE DE DEUS)

Bom, foi no comecinho de agosto que eu descobri que estava grávida. Eu estava sentindo muita falta de ar, muita tontura, uma fraqueza tremenda. Consultei meu gastroenterologista e ele me disse que talvez eu estivesse com labirintite. Mas minha menstruação atrasou e eu decidi fazer um exame de farmácia. Não fiquei assustada quando minha menstruação atrasou, pois as vezes acontecia e eu nunca fui muito regulada, apesar de tomar anticoncepcional. Eu estava dois meses sem tomar anticoncepcional, pois estava fazendo um tratamento ginecológico, meu papanicolau havia dado alterado. O exame de farmácia deu positivo, mas ainda ficamos desconfiados. No dia seguinte, fui fazer um exame de sangue, com pedido do meu médico. No caminho o Márcio disse “se você realmente estiver grávida e se for menino, o nome poderia ser Pedro”. Na hora, amei esse nome e disse que tudo bem. Nome pra menina, nós sempre tivemos, desde que nos conhecemos, seria Mariana. Na sexta-feira peguei o exame e realmente eu estava grávida! Fiquei muito feliz e surpresa também e na hora liguei pro Márcio. Pedi que ele não contasse pra ninguém, queria contar pra todo mundo junto. No domingo tinha um almoço na casa da minha irmã, estariam todos lá e eu daria a notícia. Ele não se conteve e contou pra todo mundo do escritório que ele trabalhava. Mas no domingo ele deu a notícia pra todo mundo (eu não sabia como falar) e foi uma choradeira só. Acho que foi o melhor Dia dos Pais do Márcio, afinal foi o primeiro de todos e o Pedro era só uma sementinha. Aí começou nosso pré natal logo na segunda-feira, comecei a tomar ácido fólico, logo fiz um ultrassom e não deu pra ver nada. Então a médica resolveu fazer outro tipo de ultrassom e lá estava o coraçãozinho batendo! Foi lindo! Minha ficha começou a cair: eu seria mãe! A gravidez foi maravilhosa, não tive enjôo, as vezes tinha tontura de fome, eu quase passava mal de tanta fome, eu que comia feito um passarinho, passei a comer prato de caminhoneiro. Só tive queda de pressão duas vezes, de resto tudo ótimo. No finalzinho meus pés incharam muito, eu quase não dormia porque não achava posição, mas tudo era maravilhoso. Eu tinha uma agenda que ganhei na feira do bebê que falava como o bebê estava a cada semana e nós acompanhávamos aquela agenda direitinho. Quando eu estava de 4 meses e meio descobrimos mesmo que seria o Pedro e minha alegria foi imensa. Eu estava morrendo de medo, não olhava na tela do ultrassom porque achava que o médico iria me dar alguma notícia ruim, porque eu tinha muitas cólicas e ouvia muitas histórias tristes de mães que perderam seus bebês e esse era o meu maior medo. Mas quando ele encostou o aparelho, olhou para o Márcio e disse “é um meninão”! Eu não sabia se ria ou chorava, mas o Márcio era só sorrisos. Fomos almoçar pra comemorar e eu estava nas nuvens. Com cinco meses ele começou a se mexer e nunca mais parou. Chutava dia e noite, parecia um atleta na minha barriga. Eu tão pequenininha e o Pedro encaixava o pezinho na minha costela – Ai que dor! – mas era ótimo sentir a saúde do meu filho. Bom eu só dormia na posição que ele queria, e quando ele queria. Porque ele não parava um minuto. Hoje eu olho pra ele e vejo que continua inquieto com os pezinhos e fico lembrando. Também quando vejo ele com soluço, lembro que ele tinha muito soluço quando estava na barriga e dá uma saudade danada. As vezes eu queria voltar no tempo e sentir ele novamente protegido, mas acho que toda mãe sente isso.

O PARTO

O Pedro nasceu de cesárea no dia 04/04/2003 às 9:00 horas. Antes de entrar na sala de pré-parto, me despedi do papai, deixei minha aliança com ele e disse: “Daqui a pouco trago seu presente”. Quem estava no berçário ficou parado olhando aquela cena, parecia coisa de novela. Foi lindo, quando a neonatologista me mostrou ele, todo sujinho, com os olhinhos fechados e todo inchadinho eu disse: “Ai que lindo!” E ela deu risada. Eu falei só mãe pra achar lindo todo sujinho e amassadinho e ela deu mais risada. Acho que ela deve ouvir isso todos os dias. Quando trouxeram ele novamente eu ouvi ela dizer pro meu médico: “8 e 9” e eu sabia que era o Apgar, e que estava tudo bem com meu filhote. Ela colocou ele do meu lado e eu não parava de beijar aquele bebê cheiroso e fofinho e ele querendo chorar. A coisa mais linda. Eu tive reação da anestesia, tremia muito, mas mesmo assim estava muito emocionada. Fiquei com falta de ar, não gostei nem um pouco da sensação, mas quando vi aquela carinha, esqueci de tudo. Fui para o pós-operatório e lá eu chorava só de lembrar da carinha dele e pensando como o Márcio deveria estar feliz. Ficava tentando mexer o pé e a perna logo, pra poder descer pro quarto. Ao meio dia eu estava liberada, mas não tinha nenhuma enfermeira pra me levar. Quando foi uma hora eu fui pro quarto, pedi pra me darem almoço logo (eu estava morrendo de fome) e quando foi três horas, levaram meu “pacotinho”. Eu peguei ele no como, fiquei olhando e pedi pra colocarem no colo do Márcio, que é quem tava mais ansioso do que nunca. Ele se esqueceu do mundo, nem adiantava falar com ele, ele não parava de olhar pro Pedro. Foi o melhor dia da nossa vida. Garanto que o segundo melhor dia foi o do nosso casamento.